CEOs que se Quebram e Quebram a Empresa

CEOs que se Quebram e Quebram a Empresa

O ensinamento mais básico que se aprende numa escola de negócios é o cuidado com o investimento. Todo investimento tem um grau de risco. Por esse motivo, orienta-se a fazer um criterioso plano de negócio se for iniciar um ramo novo ou um plano estratégico se o negócio já existe e está consolidado. Porém, apenas isso não basta. Gostaria de falar do CEO ou como se fala, Chief Executive Officer.

O CEO pode apresentar as diretrizes da empresa para o semestre, anos ou décadas. Ele também pode construir essas diretrizes de forma colegiada. Tudo depende da visão de gestão e liderança adotada pela liderança da empresa. Na gestão inteira, sugere-se que a proposta seja construída de forma compartilhada com membros da diretoria, comitê de gestão ou conselheiros. Dependendo da natureza e da história da empresa, a decisão também pode vir pronta de cima. Tudo depende da forma como a empresa está estruturada, da sua história, se é uma empresa familiar, pública, de capital aberto ou fechado. Porém, gostaria de falar sobre uma situação que pode acontecer quando os papéis na empresa são confusos, quando existe disputa de poder no escalão mais alto ou simplesmente quando a empresa não tem um plano estratégico que mostra os rumos para o primeiro, segundo, terceiro, quarto e os próximos dez anos.

Numa empresa na qual existem vários CEOs ou diretores com poder de decisão, pode ocorrer um problema grave. A vaidade, o orgulho e a competição podem levar a empresa para um caminho delicado. Uma decisão equivocada pode comprometer a existência da empresa. Decisões que geram mudanças estratégicas precisam de embasamento técnico, consultorias especializadas, análise de probabilidades de sucesso e de fracasso e muita sensibilidade de negócio para discernir a hora certa de fazer o ataque. Um plano estratégico construído com segurança e embasamento contempla os planos a, b, c e d caso o caminho escolhido para a viagem apresente algum problema. Às vezes, é possível desviar. Pode-se também trocar o veículo se o problema for nele. Se a barreira que caiu no caminho for enorme, talvez seja necessário interromper a viagem e esperar um melhor cenário para continuar. Todas essas possibilidades precisam ser estudadas e analisadas antes de começar a viagem. Assim se constrói um plano estratégico.

Entretanto, quando não há unidade entre os CEOs, donos, diretoria ou grupo que administra a empresa, também não haverá unidade para planejar de forma equilibrada, técnica e saudável a viagem que empresa fará nos próximos anos. A desunião ou a decisão vaidosa de um CEO pode quebrar a empresa em pouco tempo. Algumas decisões erradas só são percebidas quando não há mais como corrigir o percurso da viagem. Não se pode subestimar a agressividade e a competitividade do mercado apenas porque o passado foi glorioso. Quando realizamos o Diagnóstico de Saúde da Empresa (Dia), percebemos que muitos executivos se vangloriam do sucesso do passado e não percebem que a empresa está morrendo no presente. As reuniões que eram para tomar decisões que colocariam a empresa na rota do sucesso são transformadas em encontros de acusações, superioridade e momento de lavar roupa suja com problemas pessoais que nada tem a ver com o plano estratégico. Horas e mais horas jogadas fora. Como não existe um profissional externo que faça a mediação desses conflitos, as reuniões não avançam e decisões sérias são tomadas apressadamente e sem a devida análise. CEOs, diretores e executivos também precisam de ajuda.

É necessário compreender que a missão da empresa é muito mais importante que as ambições pessoais. Realizo WTS Coaching e quando a empresa compreende que saúde e unidade são elementos importantes para a sustentabilidade da empresa nos próximos anos, criamos ambientes nos quais CEOs, diretores, executivos, gerentes e supervisores possam dividir suas frustrações, seus medos, suas dificuldades familiares e suas ansiedades. Forneço profissionais capacitados e de extrema confiança para conduzir os diálogos. Infelizmente, para conseguir ocupar esses cargos gerenciais, muitos executivos pagaram um preço alto ao longo da vida. Passaram longos períodos distantes da família, viajaram anos para outros estados, tiveram que se tornar emocionalmente rígidos por causa da competição do mercado. Pouco se fala sobre esse assunto, mas alguns executivos desenvolvem problemas emocionais e psiquiátricos graves por causa desse ambiente e esse estilo de vida que sempre está competindo e batendo uma nova meta.

Atualmente, compreende-se que não vale a pena comprometer áreas importantes da vida para conquistar sucesso profissional. Por isso, empresas que inovam não modernizam apenas com novas tecnologias, ela cuida principalmente do coração e da saúde daqueles que gerenciam essas tecnologias.

Dell Delambre, Dr. (WTS Coach e Consultor em Sustentabilidade)

LODI, João Bosco. (1987). Sucessão e conflitos na empresa familiar. Pioneira. São Paulo.

Hochschild, Arlie R. (1983). The Managed Heart: Commercialization of human feeling. Berkeley, CA: University of California Press.

 

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Coach WTS e Consultor em Sustentabilidade. Premiado pela UNESCO e no Jornal Folha Dirigida. Doutor, Conferencista e Professor Universitário.

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