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WTS Coaching é mais do que bater metas

WTS Coaching é mais do que bater metas

No Brasil, pode-se dizer que a metodologia de Coaching está ainda em fase embrionária mesmo que algumas escolas atuem há mais de uma década e haja um número expressivo de profissionais disponíveis no mercado. Boa parte da população brasileira não tem a mínima noção sobre o que é Coaching e suas possíveis aplicações.

Em princípio, Coaching é uma metodologia de desenvolvimento humano. O processo de Coaching tem sido compreendido como uma parceria entre o profissional  (Coach) e o cliente (Coachee) que firmam um contrato para se alcançar determinada meta em diferentes áreas da vida. O processo também pode ocorrer na relação entre um profissional (Coach) e uma empresa, uma organização não governamental, universidade, equipe de esporte e outros. Nesse caso, o foco está nos objetivos da instituição. Já existem outras variações de uso do Coaching que falarei em outro artigo.

Quando explico o que é essa metodologia, sempre começo dizendo que Coaching é extremamente simples. Aí está sua virtude em minha opinião. Gosto sempre voltar às raízes do Coaching para seguir em frente. Por isso, cito os Coaches Tim Gallwey e Marshall Goldsmith. O processo de Coaching se dá com uma pessoa que decide ser ponte para outra. Alguém que vai segurando na mão da outra e a ajuda a atravessar a ponte sem querer atravessar no lugar dela. Porém, o importante é que essa pessoa não seja dependente de quem a ajudou e que esteja preparada para cruzar a ponte sozinha quantas vezes for necessário. Mas o coach pode ser acionado, caso ela precise de ajuda para atravessar. Isso para mim é o princípio que sustenta a metodologia de Coaching. Tim Gallwey dirá que Coach é alguém que ajuda o outro a se conectar com ele mesmo. O diálogo do processo Coaching a metologia PNL (Programação Neurolinguística) faz parte das fases de desenvolvimento do Coaching. Porém, esse capítulo ainda precisa ser bem estudado. Na teoria de WTS Coaching, defendo que o Coaching pode ser desenvolvida como uma área de conhecimento intrinsecamente transdisciplinar nesse século XXI, denominada como Pós-Modernidade.

Gostaria de continuar falando sobre essa dimensão embrionária do Coaching no Brasil e suas implicações positivas e negativas. As profissões que dão contribuição relevante à sociedade conciliam atuação prática com pesquisa teórica. Não é simples essa relação. Por que é importante a relação coerente entre teoria e prática? Dentre as várias explicações, uma delas é que a teoria é a reflexão para melhorar continuamente a prática. No Brasil, esse é um problema grave da metodologia de Coaching. Pela demanda cultural do país, não existe ainda uma reflexão teórica séria sobre a prática de Coaching. Ninguém sabe como os profissionais que são formados em cursos de 2 a 6 finais de semana estão atuando. Não existe avaliação para saber como estão aqueles que fizeram a formação, mas não conseguiram atuar no mercado. Uma pesquisa séria de Coaching no Brasil revelaria, por exemplo, quais os principais problemas acontecem na relação entre o profissional Coach e o cliente Coachee. Para um serviço com uma natureza tão interpessoal como o do Coaching, deveriam existir estudos constantes. Sem estudo, avaliação, pesquisa e aprimoramento, os problemas são camuflados e encobertos e as virtudes não são exploradas.

Mas por que, após mais de uma década no Brasil, o Coaching não está nas pesquisas de mestrado e doutorado no país? Na verdade, é muito difícil responder essa pergunta. Entretanto, podemos dizer que a formação de Coaching está nas mãos das escolas e institutos que detém o monopólio da formação no país. Embora alguns desses institutos já tenham, por exemplo, MBA em Coaching, percebo um leve desinteresse de que o Coaching seja disseminado nas universidades e, muito menos, que seus princípios sejam disponibilizados nos projetos pedagógicos dos ensinos fundamentais e médio. Do ponto de vista de mercado, quanto mais universidades oferecendo a formação de Coaching, menos pessoas buscarão a formação nesses institutos. Se essa for uma das razões, pode-se dizer que em outros lugares do mundo onde o Coaching está na universidade, convivi-se com as duas realidades como é o caso dos EUA. Existem muitas vantagens de se desenvolver pesquisas sérias em Coaching.

Certamente, um dos grandes prejuízos do Coaching no Brasil está na redução dele ao modelo quantitativo de bater metas e obter resultados estratosféricos, seja na vida pessoal ou na dimensão corporativa. Falta no Brasil uma discussão sobre os princípios filosóficos do Coaching. Por que digo isso? A rapidez das formações reduzidas em finais de semana faz com que a formação seja profundamente pragmática. Parece que quase tudo é voltado para resultado e alta performance. Mas o Coaching é absurdamente mais do que atingir resultados que são isolados da integralidade da vida do ser humano ou dos processos inteiros da empresa. Quando me refiro à dimensão filosófica do Coaching, não estou excluindo em hipótese alguma sua dimensão prática. Estou apenas chamando a atenção ao fato de que existe um princípio de Coaching que está na raiz (Grundlage) da história do seu desenvolvimento até chegar a ser o que é hoje. Infelizmente, parece que no Brasil, só se conhece a dimensão prática ou pragmática.

Quando comecei a estudar Coaching, o que mais chamou atenção foi o convite que o processo faz para sejamos pontes para outras pessoas. Descobri que já era Coach desde à infância no campo de futebol, nas aulas particulares que dava na adolescência ou nas visitas aos amigos. Essa simplicidade do Coaching além de ser cativante, estabelece um diálogo profundo com a sociedade atual, na qual a identidade das pessoas está definida pela capacidade de acumular. Ou seja, um dos aspectos centrais dos nossos tempos que é o individualismo pode ser contemplado pelo princípio Coaching quando ele é visto como a arte de deixar que o outro expanda todas as suas potencialidades. Filosoficamente, o processo de Coaching provoca à mudança de foco do eu para o outro, do egocentrismo para o outro-centrismo. Isso é muito sério e exige do profissional um tipo de escuta diferenciada das demandas e necessidades do outro. Entretanto, para ouvir o outro de forma eficiente e afetiva, é imprescindível estar inserido num processo de escuta de si mesmo. Aqui começamos a embolar a situação.

O outro princípio fundamental do Coaching são as perguntas. Como perguntar se a escuta é deficiente? De um lado, o processo de escutar e perguntar faz parte da dinâmica da vida. Assim, o princípio Coaching pode estar presente em tudo. Do outro lado, quando alguém se dispõem a acompanhar outra pessoa de forma profissional, perde um pouco dessa simplicidade. Toda relação profissional entre duas pessoas está sob o risco dos ruídos de comunicação, dos jogos de interesse e da perversão dos objetivos preestabelecidos. Por essas razões, é fundamental um cuidado maior com o profissional; é importante ter um tempo maior de formação e com possibilidade de receber acompanhamento nos primeiros anos de atuação. A metodologia WTS Coaching tem todas essas preocupações. Por isso, provavelmente essa seja a primeira metodologia de Coaching no mundo que tem sua fundamentação numa teoria de sustentabilidade transdisciplinar. É fundamental que as pessoas sejam vistas a partir da relação que ela estabelece com o contexto local e global. Nessa perspectiva, os princípios do Coaching poderiam ser utilizados nos ensinos fundamental e médio. Os cursos de empreendedorismo poderiam aproveitar o trabalho forte para autonomia que existe no Coaching. No Brasil, existe uma enorme carência de formação universitária em liderança. O Coaching poderia ser um elo de pesquisa que ajudaria as pessoas a descobrirem seus perfis de liderança.

Dell Delambre (WTS Coach e Consultor em Sustentabilidade)

 

Gallwey, W. Timothy. O jogo interior do tênis. São Paulo: Editora Texto Novo, 1996.

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Coach WTS e Consultor em Sustentabilidade. Premiado pela UNESCO e no Jornal Folha Dirigida. Doutor, Conferencista e Professor Universitário.

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