Chico Pinheiro e Dell Delambre: Sustentabilidade como Estilo de Vida

O restaurante La Fiorentina no Leme, Rio de Janeiro, reduto histórico de artistas, intelectuais, escritores, músicos, atores e outras personalidades, o repórter Chico Pinheiro recebeu meus convidados para um “Papo de Improviso” na concepção da filosofia e teoria dos “Fios Sustentáveis – FioS”. Os jovens foram estimulados a sonhar e podiam fazer perguntas sobre carreira, profissão e projeto de vida.

Vale lembrar que o Rio de Janeiro sempre foi ambiente para diálogos, papos locais que se tornavam sabedorias universais. Assim, surgiriam tendências que se espalhavam pelo mundo, como a “Última Crônica” de Fernando Sabino ou os contos, poemas e romances transnacionais do fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho, como carinhosamente o apelidou Carlos Drummond de Andrade no poema, “A um bruxo, com amor”. Não sem motivo, que na entrada do La Fiorentina, somos recepcionados pela estátua do músico mineiro de Ubá, Ary Barroso.

Sem perder a antiga tradição erudita do recinto, porém com uma pitada de linguagem popular, o contador de histórias e poeta das palavras, Chico Pinheiro, encantou meus convidados com histórias extremamente originais e fascinantes. Eu já percebia sua densidade em nossos diálogos por quase dois anos nas quartas-feiras no La Fiorentina. Daí nasceria a ideia desse encontro com diferentes públicos, isto é, estender FioS. Os olhos dos ouvintes reluziam com inspirações que chegavam a nossos corações empedernidos com as diferentes poluições de um tradicional centro urbano.

Como mediador desses FioS, eu conduzia o diálogo que girava em torno da Memória da Ditadura, Esperanças e Sustentabilidade como Estilo de Vida. Conversando com um público acentuadamente de jovens universitários e participantes de projetos em comunidades, Chico compartilhou elementos significativos sobre a escolha da profissão e o contexto político do golpe militar de 64. Aos poucos, o “Papo de Improviso” ganharia os contornos de uma conversa entre amigos. Seria nesse instante, que após uma pergunta existencial, sugestionada pelo mestrando em Ciências Políticas e Relações Internacionais, Cadu Madureira, que conheceríamos a profundidade filosófica e antropológica de Chico, o Pinheiro. Misturando conhecimentos de teologia, poesia, literatura e música, o repórter-poeta acenaria sabedorias internas da vida, que transcendem a lógica habitualmente humana, embora nunca prescinda dela para sua existência.

Por isso, viver já é um milagre, frisaria Chico várias vezes nas entre-linhas de seus versos in-formes. Sob essa batuta, a prosa, como diria um bom mineiro, tomaria outros rumos e alcançaria as perguntas mais latentes na alma daqueles que sofrem as diferentes pressões que inauguram a crise de paradigma e a “tensão criativa de sentido” nesse raiar do século XXI.

Já caminhando para o fim desse primeiro banquete no La Fiorentina, a brisa do mar de Copacabana – casando com o vento gelado do Leme – refrescava nosso coração aquecido com esperança e vida. Embora fosse quarta-feira, estávamos sob os auspícios da “Coragem” pro-nunciada por Chico nas segundas-feiras e sob “A Graça de Deus”, a-nunciada nas sextas-feiras. Chico ainda frisaria, “se não fosse ele, talvez nunca conheceria vocês.” Isso é um exemplo da Sustentabilidade como Estilo de Vida e de que é necessário hoje construir “Fios Sustentáveis” por onde passamos na vida!

Dell Delambre, Dr. (WTS Coach & Consultor em Sustentabilidade PhD – ULHT – Portugal)

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